Riscos que nos ameaçam PD50 - Page 64

Cumpre ao candidato e aos seus apoiadores dedicar um pouco de seu tempo para apreciar, no plano concreto, e a partir dos dados que nos são fornecidos pelos institutos oficiais de estatísticas, como o IBGE, e, mais recentemente, pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, a composição e a natureza do conjunto de eleitores a quem o candidato pedirá o voto. Este pode ser um requisito para o êxito eleitoral, ao lado de todos os demais aspectos e condições necessárias para o êxito de uma candidatura, que compreendem sua organização e planejamento, a definição de seus apoios e de um regime eficaz de financia- mento, e, claro, de sua política. Para ter uma visão atualizada do eleitorado do Brasil e de sua unidade federada, um candidato e seus apoiadores podem ter à sua disposição (ao lado dos dados estatísticos oficiais e das infor- mações prestadas pelas empresas de pesquisas eleitorais), as informações e sensibilidades que decorrem de sua experiência de vida, como a participação em eleições anteriores. Ao lado disso, duas informações que nos parecem elementares a respeito do eleitorado brasileiro (e os eleitores de cada circuns- crição concreta) devem ser objeto de juízo crítico a partir das mais recentes informações estatísticas, e de um esforço para identificar e visualizar o processo e a tendência que lhes são respectivos: especialmente a disseminada informação de que entre nós a abstenção eleitoral é muito elevada, diante da obrigatoriedade do voto; e, de outra parte, o entendimento, em parte resultante de nossa realidade histórica, em parte do que divulga a mídia e, também, porque quase intuitivo, de que o eleitor brasileiro é igno- rante e não dispõe de um mínimo de informações que lhe permi- tam uma escolha racional e razoável. Abstenção eleitoral Ressalta-se, sistematicamente, nos dias que se seguem aos pleitos ocorridos no Brasil, nas últimas décadas, o aumento signi- ficativo dos eleitores que se ausentam no dia das eleições. Com efeito, a abstenção nominal no Brasil pode ser considerada elevada, se levarmos em conta que o voto entre nós é, por defini- ção constitucional, obrigatório. E, de fato, a abstenção eleitoral aumentou nos últimos pleitos, e isto ocorreu a partir de um patamar já elevado: no ano de 2002, 62 Arlindo Fernandes de Oliveira