Riscos que nos ameaçam PD50 - Page 136

para a consolidação do governo Vargas, na medida em que os ideais do tenentismo foram colocados em prática após a Revolu- ção de 1930. (FAUSTO, 2015, p. 291). O Estado Novo seria o momento no qual houve a consolidação da nação brasileira, na medida em que essa ditadura foi respon- sável por levar às massas a ideia de identidade nacional brasi- leira, portanto Fase C, na classificação de Hroch. As diferentes análises teóricas acerca do nacionalismo permitem entender a ascensão de Getúlio ao poder como um momento de virada. O seu governo entendeu a necessidade de criar uma comunidade imagi- nada e utilizou os meios de comunicação da época para desenvol- vê-la; por isso o pensamento de Benedict Anderson é fundamental para perceber como o imaginário é um elemento agregador da ideia de nação consolidada. Paralelamente, à luz de Jünger Habermas, o governo de Vargas pode ser considerado o momento em que a nação da nobreza se torna a nação do povo, embora adaptado à realidade brasileira, na medida em que elementos populares foram explorados: o samba, a título exemplificativo, uma linguagem importantíssima para a massificação da identidade nacional brasileira. Ademais, a pers- pectiva de Ernest Gellner é essencial para a compreensão da função do Estado, a fim de concretizar um projeto político de transição da sociedade agroletrada para a sociedade industrial avançada, promovendo a homogeneização cultural e social e consolidando um ideário nacional ao corpo social. No mesmo sentido, também, é importante ressaltar a teoria de Miroslav Hroch, cuja ideia de massificação da identidade nacional pode ser observada como elemento de consolidação da nação, uma vez que Vargas legitimou o seu governo com o clamor das camadas populares. Finalmente, as categorias apresentadas neste artigo bus