Riscos que nos ameaçam PD50 - Page 153

dente divino e, portanto, lhes corria nas veias um “sangue azul”, que lhes dava superioridade social, a capacidade de realizar feitos históricos, dando-lhes o direito de ter governança, gado e gente. Aquilo que os tornava superiores à média dos homens livres era terem uma anomalia, uma ruptura com a ordem natural das coisas, o que levava também ao seu final trágico, pelo qual se corrigia a “aberração”. O gênio virou nobre espiritual moderno. O Sermão da Montanha é a inversão da ética dos patrícios. Cristo gosta de débeis mentais (pobres de espírito), pescadores que não tinham sequer terra, mulheres adúlteras, prostitutas, doentes e defuntos. Ele não gostava de gente inteligente, forte, organizadora, inventiva, não gostava de artistas, cientistas, esta- distas, empresários. Quanto pior, melhor. Ele era tão perverso na sua inversão quanto era o patriciado na arrogância. Hegel, no final da introdução à História da Filosofia, admite que a escravidão tenha estado subjacente à produção de filosofia e arte em Atenas, mas diz que a ele só interessava o resultado. Este, porém, era determinado pelas condições de produção, ele está no cerne do que se propõe como filosofia: não é um vetor que possa ser descartado. Se a verdade é a percepção do objeto em suas múltiplas determinações, este fator é a condição de subsis- tência da produção. Nietzsche admitia que, na história, a escravidão tinha sido a condição possibilitadora da produção artística e filosófica, e até falava da “metamorfose do escravo”, ou seja, que o trabalhador moderno, do século XIX, era um escravo mais barato que um escravo, pois este precisa ser comprado, cuidado e mantido, enquanto o assalariado ou o diarista são contratados para deter- minadas tarefas, por um preço que em geral é menor do que o de um escravo, com a vantagem de o patrão poder se livrar dele mais facilmente. Ter um mau escravo é ter um péssimo casamento. Lukács, ao falar do “irra [ۘ[\[H[ٚXH[[p'K0œ]YHH\ܘ]Y0]XHZ^YH\ۙpX\\XH\HBp[[XX[ H]YHHXۛXHܘ[ۘH[XHX[B0蛘XHHp]YH\Z]H\[\ܝ\XZ\]YHBYX[H0p[[XX[ ]X[XZ[܈HXۛXKXZ[܂H\۝YH^ܘpX[HHX[\[p\›Y[\ˈ[[Z[0]YHHp\0\XH\XH\H\™ܰ\HpK[[ \XH[XH[[ݘYܘH\œ[pY\XZ\ΈH\Y\XH\X]H\Y[܈]YH[KY[\\H\YHH\0XBML