Riscos que nos ameaçam PD50 - Page 141

tando com a mesma velocidade os horizontes de expectativas dos contemporâneos (p. 311-312). A relação entre horizontes de expec- tativas e espaços de experiências é esclarecedora para pensarmos os grupos políticos que atuavam no Brasil nas primeiras duas décadas do XIX preconizando o surgimento de diversos projetos políticos, ou, nas palavras de István Jancsó e João Paulo Pimenta, de “alternativas de futuro”, engendradas a partir de “múltiplas identidades políticas” conflitantes ou complementares entre si. Para estes autores (2000, p. 392), a instauração do Estado brasi- leiro se dá em meio à coexistência, no interior do que fora anterior- mente a América portuguesa, de múltiplas identidades políticas, cada qual expressando trajetórias coletivas que, reconhecendo-se particulares, balizam alternativas de seu futuro. Essas identida- des políticas coletivas sintetizavam, cada qual à sua maneira, o passado, o presente e o futuro das comunidades humanas em cujo interior eram engendradas, cujas organicidades expressavam e cujos futuros projetavam. Nesse sentido, cada qual referia-se a alguma realidade e a algum projeto de tipo nacional. Essas identidades políticas – análogas às “peças de um mosaico” – carregavam em si mais ou menos “elementos de moder- nidade”, sem, contudo, abandonar totalmente as tradições, que ainda moldavam as expectativas de futuro, bem como os usos do passado. Os projetos (e confrontos) em torno das definições do Brasil nação, bastante visíveis na Constituinte de 1823, são signi- ficativos para pensarmos essas aparentes contradições entre modernidade (modelo importado de nação) e tradição (especifici- dades locais). A discussão em torno da naturalização dos portu- gueses pode ser um prato cheio para visualizar tais embates. Aos 22 de maio de 1823, o pernambucano e ex-revolucionário de 1817, Muniz Tavares, apresenta à Assembleia o seu projeto de lei que tratava da naturalização de portugueses residentes no Brasil. Justifica a sua iniciativa legislativa tendo em vista que o Brasil, “por mui justas e legítimas razões”: [...] renunciou para sempre toda e qualquer união política com Portugal ou com outra qualquer nação que se oponha a sua Independência, assumindo por este ato solene o distintivo título de nação soberana e verdadeiramente livre. (AAC I, p. 91). 2 Desta forma, não poderia deixar de considerar Portugal como uma na \[Z\K8'H܈ۜ\]pꛘXHܝYYKBHHYHPPHY\K\H[[Z\H\[XZXHۜ]Z[H [JK]Y[HZH\\[Z\ŒL