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ARTIGO vos policiais nas áreas ditas pacificadas vem sendo perpetradas por bandidos que ficaram no local por não serem procura- dos e não terem ficha criminal pregressa. Muitos têm até carteira assinada ou po- dem provar que trabalham de forma au- tônoma, fazendo biscates. Não se com- bate essa guerrilha com legislação ordi- nária. Nossa população, que espera que as Forças Armadas possam agir com ener- gia, sobretudo contra os criminosos que portam fuzis, precisa saber que o proble- ma é que hoje o Exército não pode ga- rantir que o policial ou soldado que atirar em algum bandido na rua não seja de- nunciado ou processado! Por mais que a sociedade anseie, apoiando a tese de que “bandido bom é bandido morto”, se não pudermos garantir a tropa (ou a polícia), ninguém vai cumprir a ordem de eliminar fisicamente aqueles criminosos que esti- verem portando armas de guerra. A verdade é que a intervenção, ao me- nos em princípio, não alterará o sistema jurídico vigente. O ponto de inflexão da coi- sa toda é: Quem pode mandar agir com a necessária energia contra os criminosos ar- mados e quem vai “segurar” quando os po- liciais e soldados assim o fizerem? Se todas essas ONGs e instituições estivessem mesmo a serviço de uma boa causa deveriam colaborar com as Forças Armadas O general Douglas MacArthur costu- mava dizer que “numa guerra não há subs- tituto para vitória”. Aqui, o problema é que muitos políticos ladravazes, representan- tes de ONGs e os acadêmicos e violenciólogos intelectualmente desones- tos não estão sequer dispostos a admitir que enfrentamos uma muito bem equipa- da guerrilha do crime. Precisamos ensejar todos os esforços possíveis para desestabilizar os criminosos e intranquilizá-los dentro dos locais que jul- gam dominar. O que estamos fazendo para acuá-los naquele território que eles julgam que seja deles? Há outdoors ou cartazes nos pos- tes concitando os moradores a delatá-los? Carros de som veiculam insistentemente mensagens para quem quiser “entregar” quem são os bandidos e onde eles estão? Estamos fazendo operações sistemáticas para identificar quem seja ligado ao crime e possa estar colaborando nessas ações de guerrilha? O que fazemos, em regime permanente, para granjear o apoio das populações nesses locais? Se não estamos conduzindo essa guerra com as- túcia, isso tem de mudar! Eu sei que as Forças Armadas não têm dinheiro para pagar por outdoors, por co- merciais ou para usar a estrutura de pu- blicidade de uma série de instituições, ONGs e sindicatos que surfam no dinhei- ro público, mas nós, com um mínimo de determinação e boa vontade, podemos fazer mais do que apenas jogar panfletos de helicópteros ou distribuir panfletos ou cartilhas. A propaganda direcionada para vencer o crime tem de ser mais intensa, mais marcante, impactante e sobretudo S-I-S-T-E-M-Á-T-I-C-A! Não se trata de apenas um evento ou a aplicação episódica de um único recurso, mas a combinação de todas as formas ou recur- sos que pudermos empregar, no maior período de tempo e com a maior intensi- dade possível, no sentido de: 1) Angariar o apoio à política de Segu- rança Pública, bem como para as forças de segurança do Estado; 2) Fortalecer a vontade popular no enfrentamento do crime e da violência, elevando o moral dos efetivos policiais de forma permanente; 3) Influenciar a população CONTRA os criminosos, comprometendo a sua pers- pectiva de contar com apoio do povo, intranquilizando os bandidos de forma per- manente, mesmo naqueles locais onde julgam ser seu domínio; 4) Enfraquecer a vontade dos grupos criminosos, abalando-lhes o moral; 5) Influenciar a opinião pública sem- pre favoravelmente às forças de segu- rança. Contudo, não dá pra alcançar esses objetivos sem contar com a colaboração da mídia e das mais diversas instituições públicas e privadas... A novela que exalta o traficante como um protagonista tem de mostrar sua face violenta, cruel e todos os males que derivam de sua conduta ar- mada e violenta. Devemos dar mais publi- cidade às vitimas dos criminosos, as quais, sob quaisquer óticas, são muitíssimo mais numerosas do que as eventuais vítimas de excessos das forças de segurança. Precisamos admitir publicamente que o enfrentamento dessas hostes, que se per- mitiu chegar onde chegou, não poderá ser levado a cabo sem contrariedades e sem concessões que fatalmente colidirão com nossas liberdades individuais. Não há omelete sem quebrar ovos! A novela que exalta um traficante como protagonista tem que mostrar sua face cruel e todos os males de sua conduta violenta A população de bem, que é vítima, direta ou indiretamente, desses crimino- sos bem armados e extremamente violen- tos, tem de radicalizar sua oposição con- tra às instituições que além de jamais te- rem se oposto efetivamente às ações de força dos criminosos, agora empenham seus melhores esforços e argumentos para restringir a liberdade das ações de repressão das forças de segurança. Para vencer a guerrilha do crime pre- cisamos travar uma batalha de “corações e mentes”, onde a população tem de ser chamada a colaborar, a influir e a opor-se a todas as pessoas e instituições que mesmo jurando licitude, lucram ou se acumpliciam com os bandidos! A Segurança Privada, é claro, pode colaborar, mas, precisamos também que se reveja a legislação, sobretudo no que tange ao treinamento e o emprego de ar- mamentos como pistolas, carabinas e fu- zis, que permitam aos profissionais se oporem mais eficazmente às armas dos bandidos. Esperamos que o esforço das Forças Armadas possa redundar em um futuro menos conflituoso. Porém nada vai acontecer sem o nosso concurso. E nós temos que marcar muito bem a nossa po- sição, não ter vergonha de declarar nos- sas convicções e de que lado estamos! Vinicius Domingues Cavalcante Consultor de Segurança e membro da Diretoria de Segurança da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. REVISTA SEGURANÇA PRIVADA 25