Revista Sindesp RJ Revista Digital - Page 8

OPINIÃO O lado B do Mapa da Violência Gilmar Santos E mbora a mídia exalte o Estatuto do Desarmamento e afirme que a lei evitou 133.987 mortes entre 2004 (quando entrou em vigor) e 2014 com base em números apurados pelo Mapa da Violência 2016, a verdade é que os fatos não são tão cristalinos e imponderáveis como alguns querem fa- zer crer. De acordo com o Mapa, a taxa de homicídios por armas de fogo no Brasil (que subiu, em média, 8,1% ao ano entre 1980 e 2003) cresceu 2,2% anualmente de 2004 a 2014. O cálculo foi feito com base nas vidas que seriam perdidas caso o aumento seguisse na velocidade registrada no período anterior à lei. Mas não foi revelado, por exemplo, pela mídia, as estatísticas em relação ao número de homicídios praticados com armas brancas, que passaram a ser usadas ante a dificuldade de se conseguir uma arma de fogo. Não foi revelado pela mídia o número de homicídios cometidos com armas brancas Aqui no Rio, como se sabe, cresceu o número de bandidos armados com facas e o número de crimes praticados com essas armas. Ou seja, os crimes não deixaram de ser cometidos em razão do Estatuto do Desarmamento, apenas mudou-se o “modus operandi” dos criminosos agirem. Sendo assim, pode-se afirmar que a suposta diminuição do número de homicídios por armas de fogo é uma consequência lógica, uma vez que a forte campanha do Estatuto do Desarmamento reduziu o número de armas de fogo em circulação e 8 REVISTA SEGURANÇA PRIVADA dificultou o seu comércio, ainda que muitas armas ilegais continuem chegando às mãos dos criminosos. Tentam, assim, desviar o foco do ponto principal do problema e do que deveria ser o objetivo final do Estatuto do Desarmamento: a efetiva redução dos índices de homicídios no País. Estranhamente comemora-se o fato de que menos pessoas teriam sido assassinadas por armas de fogo no Brasil depois da implantação do Estatuto do Desarmamento, mas ignora-se que o número de homicídios como um todo continua crescendo. Portanto, o fato relevante que deve ser considerado no Mapa da Violência 2016 não é a redução do número de homicídios por armas de fogo, mas, sim, o assustador aumento do número de homicídios que em 2014 atingiu a marca recorde de 59.627, uma alta de 21,9% em comparação aos 48.909 óbitos registrados em 2003. A média de 29,1 para cada grupo de 100 mil habitantes também é a maior já registrada na história do País, e representa uma alta de 10% em comparação a média de 26,5 registrada em 2004. Diante disso, fica comprovado que o Estatuto do Desarmamento não serviu, como deveria ser, de instrumento eficiente de combate à criminalidade, uma vez que os criminosos continuam agindo e matando, com ou sem armas de fogo. Os homicídios não deixaram de acontecer, o que mudou foi o “modus operandi” de praticá-los O que se vê na campanha e na fala dos defensores do Estatuto do Desarmamento é uma verdadeira “caça às bruxas”, como se as armas de fogo fossem as responsáveis pelo inaceitável número de homicídios que acontecem no País. O que precisamos, na verdade, é de uma legislação mais rígida e um combate mais eficiente à criminalidade condizentes com a triste realidade do :2:6 :FR&6V6'FFfW7FV"&VG\:|:6F;W&FP֖<:F2"&2FRfv6R0F2&Vv7G&F2FR7676F2FPVFvW&6FV7V&FFPV&&FRv"6F067VF"W,:F6