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OPINIÃO Na tragédia da Chapecoense, uma lição que nós sabemos de cor Aldair Neves Pinto Junior N o final do ano passado presencia- mos uma das mais tristes tragé- dias que o Brasil ja viveu. A queda do avião que transportava a equipe da Chapecoense que deixou um saldo de 71 mortos causou uma grande como- ção mundial. Mas o que torna mais tris- te ainda esta tragédia, no entanto, é sem dúvida nenhuma, a certeza de que ela poderia ter sido evitada. O fato do avião ter caído por falta de combustível, o que choca e revolta a todos, deve servir para cada um de nós fazermos uma reflexão sobre cer- tos procedimentos que muitas vezes deixamos de tomar, seja por pressa, cobiça ou falta de atenção. O que torna ainda mais triste esta tragédia é a certeza de que ela poderia ter sido evitada A negligência é reconhecidamente um ato grave, principalmente no âmbi- to profissional, tão danosa que é, in- clusive, tipificada como crime no Códi- go Penal, uma vez que pode, assim como aconteceu na tragédia da Chapecoense, custar vidas. Porém, deixar de fazer algo que de- veria ter sido feito ou adotar certos pro- cedimentos, aparentemente inócuos porém recomendáveis para evitar aci- dentes, são, infelizmente, atitudes mui- to mais comuns do que pensamos. Cito este triste fato para chamar a atenção daqueles que prestam e, mais ainda, daqueles que contratam servi- ço de Segurança Privada. Neste ramo de atividade uma das maiores preocu- pações tem que ser evitar correr ris- 6 REVISTA SEGURANÇA PRIVADA cos. Qualquer possibilidade de proble- ma, por menor que seja a probabilida- de de acontecer, deve ser avaliada e levada em consideração, a fim de ser abortada antes que ocorra. A isso cha- ma-se prudência, valorização da vida humana, responsabilidade na presta- ção de serviço. Na Segurança Privada, a certeza de que algo não vai acontecer por ser mui- tíssimo remotas as possibilidades é uma premissa totalmente descartada por aqueles que de fato trabalham com responsabilidade e têm consciência da enorme importância dos serviços que se propõem a oferecer. É por isso que o setor aguarda com tanta ansiedade e esperança a apro- vação do projeto de lei que institui o Estatuto da Segurança Privada. As exi- gências para a abertura de uma em- presa de segurança, as pesadas mul- tas e as severas punições previstas no projeto para os aventureiros, criam um clima de otimismo e esperança para todos aqueles que trabalham honesta e corretamente, seguindo todos os trâ- mites e exigências legais. O projeto não beneficia somente o setor da Se- gurança Privada, mas, sim, toda a so- ciedade. A negligência é reconhecidamente um ato grave, principalmente no âmbito profissional Infelizmente, os que hoje exercem a atividade dentro da lei estão sendo enormemente prejudicados pela con- corrência desleal de aventureiros que através de serviços clandestinos ou Em nosso segmento, a certeza de que algo não acontecer por ser improvável é premissa totalmente descartada mesmo empresas legalizadas, mas sem a autorização da Policia Federal para funcionar, agem oferecendo ser- viços sem a qualidade necessária, pre- judicando não só o nosso segmento mas principalmente os tomadores de serviços que contratam pelo baixo pre- ço oferecido, apesar de todas as cam- panhas e esforços feitos pela Fenavist e Sindesp´s de todo o País alertando para o risco de tal procedimento. Aldair Neves Pinto Junior Empresário e 1º Diretor Financeiro do Sindesp-RJ