Retrato da Segurança Viária 2018 Retrato da Segurança Viária 2018 - Page 53

Retrato dos custos Além de terem um incomensurável custo humano, os acidentes de trânsito com vítimas drenam recursos no atendimento de urgência e na longa e cara reabilita- ção médica dos feridos, que também causa impacto no sistema previdenciário. A perda de uma vida em si repre- senta um custo econômico para a sociedade, pois des- carta todo um investimento prévio em saúde e educação que é feito em cada cidadão. O estudo “Impactos sociais e econômicos dos aci- dentes de trânsito nas aglomerações urbanas brasilei- ras”, realizado pelo Ipea e pela ANTP, revelou que, em 2003, o gasto médio com uma vítima fatal e não-fatal em vias municipais era de R$ 109,1 mil e R$ 14,2 mil, res- pectivamente. Já o relatório “Impactos sociais e econô- micos dos acidentes de trânsito em rodovias brasileiras”, produzido pelas mesmas entidades três anos depois, constatou que o custo médio de cada acidente em vias federais e estaduais com óbitos e feridos era de aproxi- madamente R$ 421 mil e R$ 90 mil, respectivamente. Para calcular o custo que o Brasil teve com acidentes de trânsito em 2016 foi utilizada a estimativa mais con- servadora (Ipea/ANTP-2003). Esse valor, corrigido ano a ano a partir do Índice Nacional de Preços ao Consumi- dor Amplo (IPCA) e multiplicado pelo número de vítimas, atingiu, em 2016, o total de R$ 18,9 bilhões. Somente os óbitos custaram R$ 10,5 bilhões, en- quanto os feridos drenaram R$ 8,4 bilhões em recursos. A série histórica entre 2005 e 2016 revela um fenôme- no preocupante: o gasto com feridos cresce a um ritmo muito superior ao do gasto com óbitos (figura 14). En- quanto em 2005 os feridos custavam cerca de metade do valor dos óbitos, em 2016 a diferença caiu para 20%. A explicação está nos números absolutos. Como já foi visto, enquanto o total de óbitos teve queda nos últimos anos, o de feridos demonstrou uma tendência de alta crescente.Dessa forma, ainda que o custo individual de um óbito seja maior do que o de um ferido, na somatória das vítimas o valor total dos lesionados no trânsito tende a superar o dos mortos em um futuro próximo. Esse fenômeno representa um grande desafio para as políticas públicas e para as estratégias de mitigação dos custos sociais dos acidentes. A diferença entre o custo total dos óbitos e o dos feridos caiu para 20% em 2016 Figura 14 - Histórico do custo de óbitos e feridos no Brasil Em bilhões de reais, entre 2005 e 2016 Custo dos óbitos Custo dos feridos 5,3 2,6 2005 2,7 2006 8,7 8 2,8 2,5 2007 2008 Fonte: Retrato da Segurança Viária 2018 3,4 2009 4,3 2010 4,9 2011 10,4 9,5 6,6 6,5 6 5,6 9,5 5,4 2012 6,2 2013 10,5 10,2 7,7 7 2014 2015 8,4 2016 RETRATO DA SEGURANÇA VIÁRIA | 2018 53