Pathos: revista brasileira de práticas públicas e psicopatologia 5º Volume - Page 42

PATHOS / V. 05, n.03, 2017 41

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Objetivos

Este trabalho possui como objetivo geral refletir sobre o caso atendido, buscando compreender através da prática clínica e articulação teórica, tanto a dinâmica e progresso da paciente, quanto a importância da experiência do atendimento clínico na formação superior do psicólogo.

Num caráter mais concreto, os objetivos específicos se apresentam na intenção de alcançar a finalidade geral e torná-la aplicável a cenários particulares. São eles: Compreender o caso clínico atendido à luz da teoria winnicottiana, conceituando os principais elementos da teoria e articulando-os ao caso. Refletir sobre o contexto do encontro entre o estagiário e a paciente, observando os desdobramentos da relação terapêutica na clínica-escola e as repercussões desta relação para a formação do estagiário de psicologia.

Método

O método adotado neste estudo de caso é o clínico-qualitativo, explorando as relações de significado dos fenômenos observados e segundo Turato (2005), compreendendo o que elas querem dizer para os indivíduos. É no setting da clínica escola que se dá a pesquisa, contando com conteúdos íntimos e pessoais das diversas questões trazidas pelo paciente. O instrumento de pesquisa é o próprio pesquisador, que usará dos recursos teóricos e da própria personalidade para realização do exame do paciente. Trata-se de uma pesquisa na perspectiva psicanalítica que contará tanto com a abordagem e estilo próprio do analista, quanto com a imprevisibilidade do inconsciente. Esse método, clínico-qualitativo, utilizado para pesquisas em saúde, é específico para o setting da clínica-escola onde busca-se examinar, interpretar e compreender as vivências que são trazidas pelo paciente.

Esta pesquisa é baseada no atendimento do caso de uma mulher de quarenta e três anos, aqui denominada de ‘Macabéa’, um nome fictício extraído da obra literária de Clarice Lispector, “A Hora da Estrela”1, a fim de garantir o direito ao sigilo ético a ela estendido enquanto paciente da clínica-escola do serviço de psicologia.

O nome foi escolhido pelas autoras deste trabalho por considerarem a existência de uma aproximação entre a personagem fictícia de autoria de Clarice Lispector, e a paciente atendida e estudada neste caso.