Pathos: revista brasileira de práticas públicas e psicopatologia 5º Volume - Page 37

INTRODUÇÃO

O estagiário da clínica se depara com a demanda do paciente, que busca diminuir seu sofrimento, esta demanda pode ser sentida pelo estagiário como infinitamente maior que os recursos que o mesmo tem disponível durante essa etapa de formação.

O que encontramos na clínica-escola são estagiários com um enorme desejo de saber. Assemelhando-se a mãe de um bebê recém-nascido, essa busca voraz pelo melhor manejo com o paciente, peculiar ao estagiário, pode ser sentida por todos que envolvem a realidade da experiência na clínica escola. O que nos chama a atenção se trata justamente do não-saber e do movimento de busca que fervilha no estagiário. Esse fenômeno que vemos no espaço universitário muito se assemelha ao ‘adoecimento’ descrito por Winnicott como preocupação materna primária.

Segundo Winnicott é no espaço vivencial da experiência – quando a mãe está em contato com o bebê, que a relação ganha forma. Temos no jovem estagiário na clínica escola o fenômeno da mãe dedicada comum, conforme descrito por Winnicott. O contato com o paciente está para além do preparo intelectual. Trata-se de uma certeza de outra ordem – da ordem da experiência. Em sua teoria, Winnicott nos brinda com o conceito da “magia da intimidade” entre a mãe e o bebê que acontece também entre o paciente e o estagiário na clínica, nos ensinando que a comunicação entre a mãe e seu bebê está para além do verbal e do formal. Conforme Dias, (2003, p. 155):

[…] no campo experiencial, envolvendo bebes […], a compreensão não acontece por via exclusivamente intelectual ou mental, mas exige um tipo de proximidade e de comunicação com o paciente, semelhante ao contato entre a mãe e o bebe. A essa linguagem pertence, essencialmente, o silêncio, a comunicação pré-verbal e a pré-representacional.

Torna-se relevante a realização deste estudo de caso para que possamos reforçar o papel do atendimento clínico na formação do jovem estagiário de psicologia - um saber não encontrado nos livros teóricos, mas sim da ordem da experiência empática com o paciente e para que possamos aprofundar a compreensão do caso clínico apresentado nesse estudo atendido numa clínica escola.

PATHOS / V. 05, n.03, 2017 36

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