O queijo de coalho em Pernambuco: histórias e memórias - Page 38

36 O QUEIJO DE COALHO EM PERNAMBUCO: HISTÓRIAS E MEMÓRIAS século XVI, vindo principalmente das ilhas portuguesas do Atlântico. Chegando, logo se espalhou, a partir de Salvador, fazendo surgir grandes criadores de gado. Por outro lado, também há dificuldades com a expansão das boiadas, considerando o que nos diz Capistrano de Abreu25, que por mais cuidado existente com as boiadas, algumas reses conseguiam, outras eram incapazes de continuar a marcha. No entanto, o fato beneficiava alguns moradores que se encontravam estabelecidos nos caminhos por onde passava o gado. Eles compravam os animais depreciados, passando esses a seguir a adquirindo melhores condições físicas e de saúde. Assim, o crescimento e extensão populacional possibilitavam que pequenos sitiantes dispusessem de gado em seus currais. 2.4. A invasão holandesa e a Carta Régia de 1701 incentivam a sertanização O caminho do gado, a partir de 1631, durante a invasão e incêndio da cidade de Olinda pelos holandeses, importante centro colonial da então Capitania de Pernambuco, deu a muitos escravos a oportunidade para fugir dos seus senhores, percorrendo o caminho do gado, no qual a possibilidade de serem recapturados era mínima. Os senhores, por sua vez, trataram de salvar o que podiam. Com a invasão dos holandeses, muitos proprietários resolveram sair do Litoral e formar currais em lugares distantes dos olhos dos holandeses, para que esses não confiscassem seus animais. “Ricos senhores de engenho, como João Fernandes Vieira, Vidal de Negreiros e Duarte Gomes da Silveira, costumavam fundar, nas áreas mais secas e distantes, fazendas e currais, onde soltavam o gado visando abastecer os seus engenhos”.26 A guerra holandesa não aterrorizou apenas os pernambucanos. O medo de perder seus animais, requisitados pelos invasores, fizeram com que criadores alagoanos e sergipanos subissem o Rio São Francisco a caminho do Sertão. Nessa perspectiva, a invasão também modificou cenários da criação de gado no Sertão do vasto território de Pernambuco, naquele período colonial. O caminho do interior foi seguido, provocado pelo temor, por parte dos criadores, da perda de seus animais para os temidos holandeses. E esse foi mais um fator que possibilitou o alargamento dos caminhos do interior27. Com o povoamento inicial da Colônia Portuguesa, a metrópole visava, "Sendo essa atividade pecuária introduzida a partir das Capitanias Hereditárias... vindo principalmente das Ilhas Portuguesas do Atlântico." Carta Régia 1701