Master of Simplicity Magazine #5 Setembro/Outubro 2017 - Page 51

Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu vontade de jogar tudo para o alto e desaparecer. Quem nunca desejou que, pelo menos por alguns dias, todos os problemas simplesmente sumissem, que as pessoas parassem de te dizer o que deves ser ou fazer. Quem nunca quis ir a uma casa no meio do nada e ficar lá em silêncio ouvindo o que você, e só você, tem a se dizer.

Apesar da vontade geral, muitos ainda recebem a ideia de um retiro silencioso como sendo algo apenas para Buddhas, monges ou seres iluminados. Poucos percebem que ficar em silêncio é uma necessidade humana que tem sido transformada em medo nos tempos modernos. E está ao alcance de todos. Um retiro silencioso é exatamente o que diz o nome: retirar-se e fazer silêncio. É afastar-se de todo o burburinho que tem aqui fora e se reconectar com a sua própria mente.

O simples ato de isolar-se e fazer silêncio gera dentro de si o despertar de uma consciência adormecida. Seus sonhos passam a ser mais lúcidos e as respostas às suas questões mais angustiadas vêm com uma facilidade inimaginável. De repente, muito do que parece importante aqui fora pára de fazer sentido ao nos silenciarmos e, o que passa batido em nosso dia a dia, ganha uma força extraordinária. O retiro silencioso é, no fim, uma ode à simplicidade e um eficiente instrumento de autoconhecimento.

Devemos, no entanto, nos preparar para esse mergulho em nós mesmos. O autoconhecimento nos ensina coisas boas a nosso respeito mas, também, nos mostra as nossas sombras. Não existe autoconhecimento sem enfrentamento e, para quem não está com a mente pronta, esse pode ser um momento de grande medo e angústia.

No entanto, se passar por esse teste de fogo, o retiro transformará de modo definitivo as suas relações, o seu modo de ver e viver a vida. Relações tóxicas pararão de ter tanta importância e as brigas desnecessárias serão cada vez mais raras em sua vida.

Recomendo fortemente, para tal, o curso de dez dias da Vipassana. Além de atender o mundo todo, o grupo é respeitado, seguindo os ensinamentos de SN Goenka e sem se utilizar de questões religiosas. Ou seja, é para todos.

Retiro Silencioso

Pela Escritora,

Karin Lisboa