Master of Simplicity Magazine #5 Setembro/Outubro 2017 - Page 43

mantém-nos sãos e não estressados. Coisas como fazer marmita, encontrar a roupa, fazer a mala, encontrar os livros da escola - geralmente coisas da rotina diária familiar - tornaram-se mais fáceis pois mantemos apenas o que é preciso e em local de fácil acesso.

Nós valorizamos as relações familiares mais do que tudo e, são as pequenas coisas, que mantém uma atmosfera de paz.

Imagine um dia comigo e com a minha família: oito crianças frequentando desde o infantário até ao colégio e um marido que é empreiteiro geral. A minha filha ainda trabalha às seis horas da manhã antes de ir para aulas. Ela levanta-se, faz a sua marmita e segue o seu caminho. Ela apenas demora quinze minutos pelo simples motivo de que, escolher a sua roupa é fácil, ela consegue encontrar tudo (sim, mesmo no escuro!), e consegue preparar a sua refeição rapidamente e em silêncio porque o frigorífico e os armários estão organizados.

Ao mesmo tempo, que temos tudo o que precisamos, nós não temos assim tantas coisas. O resto do dia inclui possivelmente os filhos menores fazendo escola aqui ou indo para as suas variadas atividades escolares. Eu posso dizer: pega nas tuas coisas, faz a tua marmita e prepara-te para sair em trinta minutos, que eles cumprem sem tropeçarem uns nos outros. Você já ouviu dizer: “se a mamãe não está feliz, ninguém está feliz” ou “esposa feliz, vida feliz”? O minimalismo é um dos maiores fatores que contribui para ter uma mãe feliz, tranquila e em paz aqui – e isso beneficia a todos!

M.O.S.: Algum dos seus 8 filhos já é um minimalista?

S.H.: Eu não diria que algum deles se intitularia minimalista, eles gostam de me provocar várias vezes, mas definitivamente, eu tenho alguns que tendem a ser minimalistas natural-mente. Também tenho alguns que são acumuladores sentimentais, apesar de bem organizados. Eu estou curiosa por ver como eles serão quando forem mais velhos e, de que modo as suas personalidades se irão manter ou mudar. A minha filha de oito anos, que é muito querida mas, de um certo modo dramática, costumava ser uma acumuladora sentimental. Eu estava alarmada com a crescente pilha de papéis, bonecos, bugigangas e dificul-dade emocional em desapegar. Conforme ela foi crescendo, manter o seu espaço limpo e organizado tornou-se mais frustrante e difícil. Porém, ela começou a perceber, através de conversas diárias e observações, o modo como a família opera em geral, e como as suas memórias e amigos não eram dependentes das suas coisas. Ela transformou-se em uma das minhas crianças mais minimalistas! E, ironicamente, sentada aqui agora, a minha filha de 5 anos está ditando pra mim uma lista de aniversário que inclui Barbies, ao mesmo tempo ela trouxe um saco de Barbies que ela não quer brincar mais e que quer doar. Aqui temos os dois lados da mesma moeda!

M.O.S.: De que forma o teu comportamento minimalista afetou os seus filhos e o seu marido?

S.H.: Ser mãe e esposa minimalista em uma casa com 9 pessoas que não são minimalistas, torna a dinâmica muito interessante. Como mães, nós temos um papel muito forte nas nossas famílias, e as nossas ações e atitudes, muitas vezes, definem o tom da casa. Honestamente, eu não acho que a minha família compreenda todos os benefícios que vêm da minha tendência minimalista, já que sempre foi uma norma. Eles entendem melhor quando visitam as casas dos amigos que estão esmagadoramente confusas ou bagunçadas, e aí eles conseguem perceber, a certo nível que, não ter muitas coisas, torna a vida mais fácil. Quando eles expressam desejo por algo, muitas vezes, a única coisa que façoé questiona-los se, eles realmente querem algo mais pra limpar e tomar conta, e eles reconsideram. Em relação ao meu marido, ele aprecia a minha identificação pelo minimalismo.

Todas as relações requerem respeito e compromisso para poderem ser saudáveis. Eu posso ter uma conversa boa sobre minimalismo e organização, mas a realidade é que eu vivo numa casa com mais nove pessoas que amo. Entrando na minha casa você não pensa imediatamente minimalismo! Pode surpreender-se pois não temos mais coisas, especialmente se você espreitar em armários e roupeiros, mas a nossa casa transparece saudável. Há muita vida aqui.

Enquanto o meu sonho de ambiente de casa seria ter menos coisas, eu entendo que a minha failia é feita de indivíduos que desejam ser amados e aceites como são. Há crianças. Adolescentes, jovens, um cão e um gato – n´so somos mesmo normais! Eu tive de aprender, e honestamente ainda estou aprendendo, a valorizar as relações acima de ter as coisas do exato modo como eu as quero. O meu minimalismo trouxe-lhes muitos benefícios mas eu sei quão fácil é também frustra-los com isso. Encontrar um equilíbrio é importante pra mim.

O minimalismo (...) contribui para ter uma mãe feliz, tranquila e em paz aqui – e isso beneficia a todos!