Master of Simplicity Magazine #4 Julho/Agosto 2017 - Page 42

MASTER OF SIMPLICITY: Sendo um actor habituado a participar em novelas, o que o levou a representar a personagem do Gandhi?

JOÃO SIGNORELLI: Eu fui con-vidado pelo autor e diretor da peça, Miguel Filliage, a fazer um espetáculo teatral, para a abertura de um fórum sobre Recursos Hu-manos, para o mundo corporativo. Como o tema desse fórum era Liderança Servidora, Miguel pen-sou no Gandhi como um grande líder e me achando parecido com ele, me chamou e eu aceitei. Era para ser uma única apresentação, mas ficou tão bonito que resolvi continuar e já são 14 anos de existência desse trabalho. Hoje faço-o para empresas, universi-dades, colégios de ensino médio, hospitais, temporadas teatrais, es-colas de yoga,... enfim, é um tra-balho para públicos bem amplos.

M.O.S.: Qual o excerto do monólogo que o comoveu?

J.S.: Quando Gandhi diz "o amor cura, o amor une, o amor pulsa, o amor educa, o amor movimenta, o amor faz nascer, o amor mo-biliza, o amor motiva, o amor possibilita a vida".

M.O.S.: De que modo encarnar a personagem do Gandhi mudou a sua vida?

J.S.: Bem, o Gandhi passou como um tsunami na minha vida (risos). Como Saturno levando embora antigos hábitos, como ficar nas baladas noturnas, pensar em me divertir mais do que fazer coisas produtivas e tudo que um ator de televisão tem de facilidades na vida (risos); e trazendo novos hábitos, como comer carne uma vez por semana, meditar mais, ficar mais em casa, ter um relacionamento afetivo mais estável, parar de mentir socialmente e tentar sem-pre cumprir o que prometo.

M.O.S.: Qual o efeito que teve a sua passagem pela Índia, estando na casa e nos espaços onde habitou e viveu Gandhi?

J.S.: O efeito foi o mais positivo! Foi o máximo ver as cores que ele via, sentir o cheiro e pisar no chão

do país dele, e olhar muito bem as pessoas nas ruas para entender o amor que ele tinha por elas. E na casa onde ele viveu os últimos 144 dias de vida foi muito emocionante, pois vi lá alguns documentários sobre ele e mudei o jeito de andar na peça e dominei o jeito assertivo que ele tinha ao falar. Melhorei muito minha interpretação.

"(...) o amor possibilita a vida"