Master of Simplicity Magazine #3 Maio/Junho 2017 - Page 51

Vários estudos e ensaios academicos fazem referência à afinidade entre a música e outras áreas como, por exemplo, a arquitetura e, citações como:

“Nós deveríamos, portanto, con-finarmo-nos à Música, à Arquitetura, à Escultura e à Pintura (...) Essas quatro são irmãs; as duas primeiras, gêmeas: para tal, se observa que elas não se originam na imitação dos entes naturais, como fazem a escultura e a Pintura.” (Viollet-le-Duc, 1987)

A criação de uma obra arquitetônica segue, maioritariamente, os mesmos princípios de uma obra musical pois, atende a um conceito estético, busca uma determinada expressão e con-teúdo, traz, desde a sua raiz, uma metodologia que muito tem de singular e criativa e, ousa justificar macroscopicamente, cada tijolo ou nota musical que as mesmas contém. Tanto na Música quanto na Arqui-tetura, a prevalência dos seus obser-vadores não desfrutam de metade do que cada obra encerra pois, para tal, seria necessário um conhecimento mais amplo sobre cada uma destas artes. Então arrisco a dizer que um arquiteto é alguém que, tal como um músico experiente, também é, na área da edificação, um compositor. Ao imaginar a casa, o prédio ou qualquer obra que irá construir, assim como um instrumentista profissional, o arquiteto também é capaz de ver, em sua mente, a obra pronta, mesmo que, nem sequer ainda tenha sido colocado qualquer tijolo desta construção. No processo criativo musical, o compositor conse-gue ouvir, em sua mente, a totalidade dos instrumentos que irão compor a obra, e até mesmo, a música com-pletamente pronta com todas as suas nuances, dinâmicas, solos, ambientes, ritmos e especificidades, isso, mesmo antes de escrever a primeira nota na pauta musical pois, todo o processo inicia na criação, em uma ideia inicial, em uma conversa ou em um propósito. Ouvir uma música que gostamos muito é relaxante, motivador e é também um modo de revisitarmos sensações que já conhecemos e que, sem duvida al-guma, nos fazem tão bem. O mesmo acontece quando recebemos as chaves da nossa casa nova, aquela que, um dia, sonhamos, lutamos, idealizamos, enco-mendamos e, por fim, conquistamos.

Estes são manifestos sentimentos de bem-estar que ambas as artes nos trazem. A vida está cheia de pequenas conquistas que, por serem pequenas e inexpressivas, até parecem não ter valor mas, a arte de ser feliz consiste em ser perspicaz o suficiente para saber identifica-las e desfrutar de cada uma minuciosamente. Sejamos felizes!

pelo diretor musical

Giovani Goulart