Master of Simplicity Magazine #2 Março/Abril 2017 - Page 37

Caros leitores, a minha inspiração para escrever esse texto veio

de dois fatores: da Mitologia Grega, que aprecio muito, e da correria

frenética da cidade de São Paulo, conhecida como aquela que “nunca pára”.

Os gregos antigos usavam duas palavras para se referir ao tempo, pois

consideravam a existência de dois tipos de tempo: Chronos e Kairós. Chronos

era a palavra usada para definir o tempo cronológico ou sequencial, contado em

anos, dias, horas e suas divisões. O estilo de vida moderno, imposto pelo ritmo das

grandes cidades, tem deixado os seus moradores bastante familiarizados com Chronos. Kairós, por sua vez, significa “o momento certo” e faz menção àquelas situações tão

especiais e marcantes que fazem, metaforicamente, com que o tempo “pare”. Ou

seja, ainda que temporariamente, nesses momentos Chronos “sai de cena”.

Em outras palavras, enquanto Chronos define a natureza quantitativa do

tempo, Kairós define a sua forma qualitativa. Manter o equilíbrio entre

quantidade e qualidade é um grande desafio, porém fundamental

para vivermos de maneira mais prazerosa e significativa.

Não podemos negar que lidar com Chronos é uma necessidade

que, se fosse ignorada, tornaria a nossa vida caótica. No entanto,

quando a energia dedicada ao tempo cronológico é exagerada,

consumimos os nossos dias contando as horas e vivendo a

angústia da “falta de tempo”. Ou, ainda pior, vemos o tempo

passar enquanto constatamos que não estamos fazendo nada

de significativo para dar sentido à nossa existência. É a falta

de Kairós! Vivemos atualmente um curioso paradoxo. Em

nenhum outro momento histórico fomos "bombardeados"

com um volume tão assustador de informações sobre a

melhor forma de “se viver” bem. Esses supostos “atalhos”

para a felicidade são despejados por meio da televisão, da

Internet e de numerosa publicação de títulos de autoajuda.

Entretanto, nunca buscamos tanto para encontrar tão pouco.

Na tentativa de driblar a angústia que se origina desse quadro,

“aceleramos” o nosso viver. Ampliamos, quantitativamente, nossas

experiências, mas deixamos de dar-lhes um significado mais profundo. No

convívio social, essa tendência se evidencia no alto grau de “descartabilidade”

dos relacionamentos, na incapacidade de suportar as menores frustrações e

na intolerância com o outro. Penso que um passo importante na tentativa de

equilibrar Chronos e Kairós é descobrir o que realmente é importante em nossas vidas, lembrando que essa é uma descoberta individual e única. O que é significativo

para mim, não necessariamente tem o mesmo valor para você. E aqui faço uma pergunta provocativa: Você está vivendo de acordo com as suas próprias expectativas? Ou

vive o desejo dos outros? Igualmente importante é lembrar que as coisas mais importantes da vida NUNCA devem ficar à mercê das menos importantes.

Aquilo que faz sentido em nossas vidas deve, sempre que possível, ter

maior peso na distribuição do tempo, sob o risco de cairmos em

estado de apatia. Apatia?! Exatamente. Falta-nos vitalidade

quando não dedicamos tempo suficiente às atividades que

geram energia para viver, ou seja, quando nos privamos

demasiadamente do tempo Kairós. É equilibrando

Chronos e Kairós que descobrimos a liberdade de

escolher o que fazer com o nosso tempo. E agora

encerro com uma segunda pergunta provocativa:

Qual atividade causaria grande satisfação em sua

vida, mas você não está fazendo por falta de tempo?

Pense nisso!

Oportunidade imperdível para quem quer iniciar ou aprofundar uma prática mindfulness e viver os benefícios da mesma no seu dia-a-dia!

pela Psicóloga

Ana Lúcia Pereira