KAIROS Edição Especial - Dia Aberto 2015 - Page 14

criatividade e relações de posse e ligação

1º ano de Lisboa

Ana FilipaMesquita, Ana Isabel Marcos,

Carolina Malheiro, Cláudia Cinzas, Daniela Figueira, Eulália Fernandes, Manuel Almeida, Maria Horta e Costa, Maria Isabel Silva, Paulo Alves, Susana Barroso

O que são relações de posse e consumo? O que são relações de criatividade, amor adulto, ligação ou mutualidade? O trabalho dos alunos do 1º ano foca-se nestas questões a partir de um trecho de um filme e duma breve citação de uma paciente em consulta de psicoterapia.

A partir do primeiro exemplo pomos a hipótese de que o protagonista tenha escolhido viver isolado por fortes sentimentos de não se sentir compreendido, descrença nas relações de mutualidade e inflação narcísica. O protagonista apoia-se num manifesto discurso anti consumista que lhe serve de pano de fundo para a opção de viver sozinho numa montanha do Alasca, onde morre sem ninguém. No segundo exemplo, uma paciente recorre a uma dependência que vai das drogas ao consumo de bens (e pessoas) como solução para os seus sentimentos de vazio e desamparo.

Que «mecanismos» nos levam a fugir, a isolar ou a consumir pessoas e bens quando do outro lado a vida tem tantas coisas boas para nos oferecer? Como podemos não usufruir daquilo que as relações chamadas de amor adulto ou mutualidade têm para nos oferecer? Profundamente apoiados por Winnicott e outros autores, fazemos uma pequena reflexão à volta de como as relações de mutualidade abrem o campo do real permitindo a ambos os sujeitos um espaço infinito para a bondade, criatividade e prazer. Também nos servimos destes autores para colocar hipóteses sobre a origem não só da descrença no outro, como nas consequentes defesas face ao vazio, ao que nunca aconteceu.

Depois aventuramo-nos um pouco por questões filológicas, atrevemo-nos a questionar o valor do individualismo numa cultura do consumo: Não servem como uma luva esta cultura do individualismo e do consumo, as defesas narcísicas? O triunfo do individualismo construído sem o outro, o consumo das pessoas e coisas, a sociedade que quer garantir a satisfação pulsional imediata, não nos dificulta e empobrece a todos? São apenas deambulações por temas alheios (são?) à psicodinâmica mas que quisemos, numa tentativa de sermos criativos, ligá-los.

Em suma é necessário que o indivíduo tenha o poder da criatividade nascida dos e para os encontros.

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