Inominável - Ano 2 Inominável Nº9 - Page 54

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O Bella Italia – já aqui falei desta cadeia de restaurantes onde comi a melhor pizza do mundo – foi um oásis latino onde nos foi servida uma garrafa de vinho tinto pelas mãos de um simpático funcionário polaco... não ouvi ninguém falar italiano, mas pouco importava, pois em alguns sítios nem o inglês se ouve falar.

Foi também na passagem de ano que me sentei em Trafalgar Square, tendo como cenário em frente os leões-estátua, vigilantes da coluna de Nelson e ao longe a silhueta da torre do Big Ben desenhada no nevoeiro; por trás de nós a Galeria Nacional e a sua escadaria que, horas mais tarde, ficaria apinhada de diferentes pessoas e culturas a assistir ao espectáculo do fogo-de-artifício ao som das doze badaladas.

Em Londres vemos a riqueza histórica contar o seu percurso pelos seus cantos e esquinas, através dos seus edifícios e rituais culturais que não se perderam no tempo. O que nos leva a Westminster Abbey, ao palácio de Buckingham e seus jardins, onde a rainha brincou em criança com a sua irmã e de onde espreitava o mundo lá fora, o dos comuns mortais. Certa vez, observando uma criança com uma bicicleta, disse solenemente “Um dia, eu também vou ter uma bicicleta”, denotando já o seu sentido prático, simples mas determinado.

A Torre de Londres é outro ícone, tendo sido um forte, um palácio real, uma prisão (onde foram encarcerados, no ano de 1270, 700 judeus, e onde quase metade foram enforcados) e até mesmo o cemitério de dois príncipes, ali assassinados pelo seu tio que queria o direito ao trono. As cúpulas da torre foram mandadas construir pelo rei Henry VIII para enaltecer a coroação da rainha Anne Boleyn, que iria lá perder a cabeça poucos anos depois, sentenciada à morte pelo próprio marido. A decapitação ocorreu em Tower Green, onde hoje se celebra a “Cerimónia das Chaves”, o mais antigo e curto ritual do mundo.