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Era, na altura, uma ideia muito vaga, muita gente não dava importância, uma vez que a ideia da saída era tida como algo fantasioso, bluff de Primeiro-Ministro, e foi subestimada por quem achava que as desvantagens eram demasiadas para o país decidir ir em frente - eu incluída, assim como muitos ingleses, pois nem todos partilham a mesma opinião. No entanto, não se contava com o orgulho nacionalista britânico: eles “querem o país de volta”, tal como é ilustrado pelas imagens de um panfleto que invadiu as caixas de correio, isto já depois do resultado do referendo, onde se pode ler “Vocês roubaram o nosso futuro”.

A campanha política em todo este processo foi inteligente e pouco ética, de forma a angariar a maioria dos votos. Deveria ter sido esclarecedora e informar devidamente os cidadãos dos prós e contras de uma decisão séria como esta; mas não, apostaram no argumento “imigração”, este flagelo que, no entanto, desconta impostos todos os anos, impostos estes essenciais para a sustentabilidade de um país. Alvos fáceis: os mais idosos, que vivem na utopia de um país sem imigração, e exactamente como era há umas décadas, como se o Brexit fosse uma Máquina do Tempo. Outros são mais jovens, fruto de uma geração que nunca trabalhou e está a perpetuar o legado familiar. Então vivem de quê? Eu explico! Após a guerra foi criado um sistema de benefícios financeiros para apoiar todas as famílias que deles precisavam - o que é digno de admiração, pois nem todos os países cuidam assim dos seus. Este sistema, contudo, manteve-se até hoje, e mais do que uma geração habituou-se a esse estilo de vida: o sistema tornou-se vítima de si mesmo e fez nascer parasitas que, indignados, acham que os imigrantes roubaram os seus trabalhos e roubaram o seu futuro. Quando, na realidade, nada fazem por ele: quando trabalham é o mínimo de horas semanais, desistem da escola, têm ranchos de filhos (muitas das vezes ainda sendo eles jovens demais para tal responsabilidade) que lhes vão proporcionar mais benefícios ainda, e fazem shopping, almoçam fast food, e levam o dia-a-dia com uma existência supérflua. Falo aqui daquilo que vejo numa base diária, evidentemente.

Claro que existem ingleses trabalhadores, com outro tipo de formação, que desprezam tal estilo de vida e esses, na sua maioria, votaram para permancer na comunidade europeia. Até porque reconhecem a força de trabalho que os imigrantes representam, a maioria em full-time, ao contrário dos que mantém as tais

Nº 8 - Junho 2017