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O filme conta a semana que antecede a crucificação de Cristo na cruz, com as diferentes visões dos apóstolos, nomeadamente Judas Iscariotes e a demonstração do amor eterno de Maria Madalena à figura de Jesus Cristo.

Porém, a forma como o realizador coloca toda a acção num deserto e a faz avançar em moldes claramente modernos para a época, com evidentes referências à guerra fria e a uma sociedade hippie já em decadência após do auge do Woodstock é, por assim dizer, um exemplo de como este filme também roçou a intervenção política.

A verdade é que estávamos em 1973, ano de diversos conflitos armados, especialmente no médio Oriente e da primeira grande crise petrolífera da qual, creio eu, jamais o mundo recuperou (mas isto são contas de outro rosário).

Não há no filme qualquer diálogo, pois tudo é dito e sentido ao som de muito boa música e outras tantas boas vozes. Como é a seguinte música cantada por Yvonne Eliman. Simplesmente fantástica.

A película tem diversos momentos inesquecíveis. Desde já o seu início e a forma crescente da música, que culmina na visão por entre ruínas de uma velha camioneta que transporta pessoas e artefactos para o que se seguirá.

Não vale a pena descrever mais o filme, seria demasiado fastidioso e desin-teressante. Somente que é, para mim, um dos grandes filmes do século XX.

Foi nomeado para um óscar da Academia de Hollywood, o da adaptação para a melhor música.

Nº 8 - Junho 2017