Edição 562 Julho/Agosto revistaOE562_V2b_11OUT - Page 114

R A N K I N G D A E N G E N H A R I A B R A S I L E I R A Essas empresas globais também atuam como concessionárias e participam de parcerias público-privadas (PPPs). A Ferrovial es- panhola é operadora por concessão do terminal 5 do aeroporto de Heathrow, em Londres, na Inglaterra, um dos mais movimen- tados do mundo, com 75,7 milhões de passageiros/ano. Ali, a empresa, em parceria com a BAA e a Mott MacDonald como pro- jetista, construiu um túnel de 2,1 km interligando os terminais 5, 3 e 1 para alojar o maior sistema integrado de manuseio de bagagens no mundo. Sua subsidiária Cintra, por sua vez, opera 27 concessões rodoviárias somando 1.920 km, em sete países, inclusive Estados Unidos e Inglaterra. A Salini Impregilo, italiana, que liderou o consórcio que se responsabilizou pelas obras de ampliação do Canal do Panamá, aponta os seguintes diferenciais como companhia global: garan- tias bancárias ou seguro garantia para completion da obra, junto a bancos e investidores institucionais — especialmente os que entraram no mercado brasileiro em novos leilões de concessão; linhas de fi nanciamento com bancos multilaterais, sejam como “epecista” ou investidor em concessões; regras de compliance estritas conforme normas internacionais, para serem aplicadas localmente; e fl uxo de caixa positivo — que não é afetado pelo mercado brasileiro, já que 95% dos negócios estão no exterior. A empresa tem 30 anos de Brasil, onde começou construindo a hidrelétrica de São Simão (MG), e foi durante 15 anos acionista da concessionária Ecorodovias. A direção dessas empresas reafi rma que não falta funding privado para projetos de infraestrutura no mercado global, mas investidores institucionais como os fundos demandam regulação sólida com regras claras, que não pode se sujeitar a interferência política e insegurança jurídica, além de ter solução estruturada para o risco cambial. Como amostra da dinâmica do mercado global, a revista ENR-En- gineering News Record, de Nova York — parceira editorial da revista O 112 | | J u l h o /A g o s to 2017 Empreiteiro — publica uma pesquisa anual sobre as maiores constru- toras internacionais, representando EUA, Europa, China, Japão, Índia e Turquia, além de outros países. A edição de 2016, com os resultados do ano de 2015, mostra que as 250 maiores construtoras Internacionais movimentaram US$ 500 bilhões em receita fora dos seus países de origem e somaram US$ 518 bilhões em contratos novos. Desse montante, segundo o gráfi co, Ásia e Austrália lideram com 24,2%; Europa, 18,7%; Oriente Médio, 15,3%; EUA, 10,7%; e Amé- rica Latina, 10,6%. Imaginem 1% desse total alocado para o Brasil? Estado de São Paulo saiu na frente com pacote de concess�es O governo paulista saiu na frente ao lançar em fi ns de 2015 um pacote de concessões de rodovias, aeroportos, metrô e sis- tema de ônibus intermunicipal cujo valor em investimentos pode chegar a mais de R$ 13 bilhões, projetando a criação de 280 mil empregos e agregando R$ 10 bilhões ao PIB estadual. As rodovias paulistas a serem concedidas respondem por R$ 10 bilhões de investimentos. Dos quatro lotes de estradas que cruzam o Estado, predominam os corredores interligando Minas Gerais e Paraná. O lote da rodovia dos Calçados foi vencido pela Arteris, e o das Rodovias do Oeste foi ganho pelo fundo Pátria. Entidades de construção criticaram o modelo adotado nos edi- tais porque difi cultou a participação de consórcios compostos por médias empresas, favorecendo os grandes grupos, o que de fato ocorreu. Em transporte metropolitano está prevista a concessão da operação da Linha 5-lilás do metrô de São Paulo, que dos atuais 9,3 km vai passar a ter mais 11,5 km até 2018, com 10 novas es- tações, sendo nove programadas para entrega ainda em 2017. Essas obras em curso demandaram R$ 9,5 bilhões do Estado. A concessão da operação da Linha 5-lilás pode ser isolada ou em conjunto com o monotrilho da Linha 17-Ouro, que vai interligar futuramente a estação Jabaquara da Linha 1-Azul com a estação São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela, com parada no aeroporto de Congonhas, servindo ainda para interli- gar as linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda, esta última da CPTM. A futura Linha 6-Laranja do metrô, entre Brasilândia e a estação São Joaquim, na região central da capital paulista, se- ria construída na modalidade parceria público-privada (PPP). A única linha hoje operada por concessionária privada em São Paulo é a 4-Amarela, pertencente ao grupo CCR, cujos trens são automatizados e não possuem condutor. Ela aguarda a entrega de estações em construção pela Cia. do Metropolitano, para aumentar a frequência dos trens. Esse pacote do governo paulista inclui ainda a concessão de cinco aeroportos para aviação executiva, num lote único, localizados em Bragança Paulista, Campinas, Jundiaí, Ubatuba e Itanhaém. O projeto requer investimentos de R$ 92 milhões — R$ 34,5 milhões nos primeiros quatro anos do prazo de con- cessão de 30 anos.