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estúdios, produziu discos e, em 1986 foi convidado para trabalhar no estúdio ‘Nas Nuvens’, no Rio de Janeiro, cujo um dos sócios era Gilberto Gil, o artista brasileiro que dispensa apresentações. “O Gil sem-pre foi uma pessoa iluminada e ao trabalhar ali sabia que um dia havia de me cruzar com ele, quando o dia chegou senti que algo mudou. Não sei se pelo meu entusiasmo, ou pela aura dele”, revela Junqueiro. De que forma o influenciou? “No olhar para a música e até a vida. Procurando sempre uma forma de intervenção e de passar uma mensagem. Foi um privilégio trabalhar com ele. Além disso, foi com ele que passei a ves-tir-me de branco todas as sextas-feiras. É dia de Iemanjá, a Rainha do Mar, e há a tradição de andar com uma peça de roupa branca colada ao corpo nesse dia.”

Tem um percurso profissional in-vejável. Em 1994 foi convidado para ser diretor artístico da Warner Music Brasil e só em 1998 voltou a tra-balhar em Portugal, como diretor artístico da EMI Portugal. É também a EMI que o volta a convidar para voltar ao Brasil, em 2007, como diretor artístico e de marketing. Cargo que desempenhou até 2012 quando regressou a Lisboa para as-sumir a posição de diretor-geral da Sony Music. Um percurso ascenden-te onde as suas características pes-soais foram, certamente, deter-minantes. Considera-se ambicioso? “Muito! E tento passar isso para os meus filhos. Gostava que a minha passagem pela vida deixasse alguma marca a acredito que ser responsá-vel por uma editora levando o talen-to dos artistas mais longe pode ser uma forma de conseguir isso.”

Depois de tantos anos a trabalhar com inúmeras celebridades tem difi-culdade em referir com quem teve maior prazer de se cruzar. “Houve tantos que marcaram a minha vida que seria injusto falar apenas de um.” No entanto, exibe uma tatua-gem com X no ombro, e não é de Factor X… “Claro que os Xutos e Pon-tapés são uma das bandas que me marcaram e o Zé Pedro é, inclusive, meu padrinho de casamento.” Tra-

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“Hoje não conseguiria viver sem música, nem sequer quero colocar essa hipótese. Se não fosse produtor, seria certamente infeliz.”

“Um bom artista não precisa de cantar bem. Tem de ter carisma, uma capacidade de trabalho absurda, dedicação a 1000% e as costas larguíssimas para aguentar a pressão, externa e interna. Um bom artista vive sempre com grandes dúvidas: «Vou ter inspiração amanhã? As pessoas vão continuar a gostar de mim? Conseguirei manter a minha carreira?» Claro que se conseguir conjugar várias coisas como cantar bem, ter um repertório, bons arranjos, bons empresários, uma boa editora... E sorte, é sempre melhor!”