Cultura RPG - Page 35

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idéia que tive na vida, fiz nesse clube os melhores amigos que podia dese-jar e conheci pessoas maravilhosas, me senti pertencendo e sou toda elo-gios ao nosso presidente (que não gosta de ser chamado assim!)

CRPG: Como é ser mulher e jogar RPG em um país patriarcal como o Brasil? E na Argentina?

PO: Ser mulher e fazer qualquer coisa no mundo patriarcal é um de-safio. Aqui na Argentina as jogatinas não engataram porque o pessoal do RPG não levou muita fé em mim ain-da, um possível jogador disse que não entende bem meu Castellano e isso ia atrasar o jogo. Já o boardga-me me recebeu muito bem, tenho um grupo fixo e isso acelerou muito mi-nha adaptação em Rosário. Me aju-dou a me sentir parte da cidade e a falar a língua.

CRPG: Já relataram para você algum caso de abuso de mulheres ao jogarem RPG?

PO: O abuso existe o tempo todo, cabe a cada um pensar nas próprias atitudes ou falas e refletir se está agredindo outra pessoa. Por exem-plo, dentro do jogo infelizmente o es-tupro tem sido abordado sem limites, sem falar nas piadinhas a todo mo-mento. Durante o jogo evito dar lição de cidadania, mas nunca me esque-ço do que ouvi.

CRPG: Muitos jogadores criam personagens mulheres sob pretexto de que é "mais fácil" ter sucesso em testes nas interações sociais. Outros muitos narradores criam NPCs femi-