Cinema, Destination Image and Place Branding Cinema, Destination Image & Place Branding - Page 51

PORTO. (PONTO) – A NOVA MARCA DE CIDADE trabalho é analisar em que medida a nova marca reflete a identidade da cidade e abre diálogo com as suas narrativas históricas, culturais, sociais, ambientais, arquitetónicas e, sobretudo, com a sua personalidade. A análise adota uma perspetiva funcional da nova marca, tal como ela é per- cecionada por um residente que vive e sente a cidade como sua, ao mesmo tempo que a partilha com o mundo e com os milhões de visitantes a escolhem. 2. Passado – memória – identidade Se usarmos o argumento de David Lowenthal citado por Fortuna (1995) sobre os benefícios do passado que variam de acordo com a época, cultura, indivíduo e fase de vida, entendemos em que medida a cidade de ontem determina a cidade de hoje. Passados diferentes – clássicos ou medievais, nacionais ou étnicos – servem diferentes propósitos. Desde que moralmente instrutivo, o passado tornou-se numa fonte de verdadeiro prazer. Mais do que por qualquer uso funcional, apreciamos as coisas antigas pela antiguidade que lhes é inerente, pela herança ancestral que refletem, pelos amigos e ocasiões passadas que relembram e pela ligação que fazem do passado com as gerações futuras. Mas que aspetos do passado nos permitem confirmar ou promover a nossa identidade, ganhar ou conservar as nossas raízes, tornar a vida e o ambiente mais ricos, validar ou fugir da carga excessiva, que de contrário, o presente traria? Na opinião de Lowenthal, (cf. Fortuna, 1995) quatro aspetos distinguem o passado do presente e do futuro: antiguidade, continuidade, cessação e sequência. O sentido da antiguidade, que incorpora precedência e afastamento, é credencial para nações e indivíduos rastrearem a sua ascendência, cultura, ins- tituições, etc. O aspeto da continuidade encerra um sentido de criação cumulativa, cujos remanescentes são herdados de antepassados. A cessação é a vertente que ajuda a apreciar o passado porque este já terminou, ou seja, o tempo tem esse recurso gratificante porque dá uma sensação de conclusão, de estabilidade e de permanência que falta no presente contínuo. Por último, a sequência que é um traço do passado que aponta para a duração processual das coisas, um determinado período de tempo e cronologia que, ao contrário do que acontece com o presente, conecta dois pontos diferentes no tempo. Para que esses atributos do passado possam ganhar valor e ser valorizados, o conceito de memória é crucial. Memória tal como ela surge nas ciências return to the content page 51