Cinema, Destination Image and Place Branding Cinema, Destination Image & Place Branding - Page 49

Porto. (ponto) – A nova marca de cidade Alexandra Matos Pereira, Universidade de Coimbra, Portugal RESUMO Os lugares são detentores de um nome cuja origem se perde muitas vezes no tempo. No entanto, quando o nome do lugar é enquadrado pelos princípios em que se baseia a gestão contemporânea das marcas, tanto a notoriedade como a associação de atribu- tos desejáveis tornam-se objetivos centrais (Guerreiro, 2008). Tomando como ponto de partida a nova imagem da cidade do Porto, concretizada através da PORTO.(ponto), lançada em setembro de 2014, o objetivo deste trabalho é analisar em que medida esta nova marca reflete a identidade da cidade e abre diálogo com as suas narrativas históricas, culturais, sociais, ambientais, arquitetónicas e, sobre- tudo, com a sua personalidade. A análise adota uma perspetiva funcional, tal como ela é percecionada por um resi- dente que vive e sente a cidade como sua, ao mesmo tempo que a partilha com o mundo e com os milhões de visitantes a escolhem. 1. Introdução Ao longo dos séculos, as cidades foram fazendo percursos como espaços vivenciais, lugares privilegiados de fixação de pessoas e de negócios. Em finais do século XX, novas circunstâncias sociais, culturais, políticas, tecnológicas e eco nó - micas vieram introduzir novas regras às cidades que as obrigaram a adaptar-se, sob pena de perderem atualidade e interesse. A par da função como lugares de vivência e de permanência, as cidades tornaram-se cada vez mais lugares de passagem, assumidamente de “natureza compósita” e plural, onde residentes, investidores e turistas procuram usufruir de experiências inesquecíveis e ter qualidade de vida. É o novo paradigma de “cidade”, encarada como um “produto especial”, simultaneamente lugar de permanência e de passagem, mas sempre destinado a ser vivido por residentes, visitantes e investidores (Guerreiro, 2008). Acumulando influências e contributos de vários momentos históricos, a cidade do Porto é, à semelhança de muitas outras, um produto híbrido (Guerreiro, 2008), em que o espaço da cidade foi e é formado por processos urbanos que tanto se sucedem na história, quanto se inter-relacionam numa mesma época, construindo a cidade múltipla, compósita, policrónica, cujo tempo não é nem return to the content page 49