Cinema, Destination Image and Place Branding Cinema, Destination Image & Place Branding - Page 112

CINEMA, DESTINATION IMAGE & PLACE BRANDING Ora, se o Turismo Cultural tem por base a experiência e a criatividade em que o imaginário de cada um anseia encontrar e experienciar o seu “sagrado” (Amirou, 2007) é nesta perspetiva da busca do “sagrado” que se enquadra a necessidade de encontrar a história, a cultura e as raízes do “eu” e do “outro”, e portanto também do património, através dos recursos intangíveis ou imateriais onde o património gastronómico se insere (Araújo e Andrés Marques, 2014). A gastronomia, por se tratar de um legado transmitido de geração em geração, baseado sobretudo em tradições orais e assente em práticas sociais que incutem nas comunidades um sentimento de identidade e de continuidade, é um património ali- mentar e insere-se no conceito de Património Cultural Imaterial, consignado na Con- venção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (UNESCO, 2003). Não podemos deixar de salientar, no entanto, que numa sociedade dinâmica e teatralizada a identidade gastronómica dos destinos turísticos é “mercantilizada e tornada espectáculo para dar resposta às expetativas dos turistas” (Debord, 1994, Campbell, 1995, in Henriques, C. & Custódio, M.J., 2010). Assim, e de acordo com Fox e Fox, 2004, in Henriques, C. & Custódio, M.J., 2010) é cada vez mais frequente que os destinos tentem promover a sua identidade através da gastronomia, direc- cionando o seu Marketing regional para a valorização dos ingredientes locais e de toda a variedade de produtos que são de origem autóctone e como tal, origi- nais e autênticos. Os processos de valorização da identidade gastronómica ten- dem a incorporar preocupações de “diferenciação”, “estetização” “autenticidade”, “simbolismo” e “rejuvenescimento/inovação” da gastronomia, pois só assim está assegurado o respeito pelo património intangível de uma região turística (Fox, 2007: 553, in Henriques, C. & Custódio, M.J., 2010). Este autor entende que a esteti- zação é marcada pela forma como os alimentos se dispõem simbolicamente nos pratos e nas mesas e fazendo uma especial incidência nos alimentos “autóctones” e apontando no sentido de uma mercantilização da cultura. A Autenticidade gas- tronómica é considerada como um “mito” (Fox, 2007: 555), devido aos intercâmbios culturais que através da história e das viagens disseminaram os ingredientes e os sabores, e também a identidade local gastronómica (Fox, 2007: 555). Esta ideia não será partilhada por autores como (Araújo e Andrés Marques, 2014) que afirmam, através dos seus estudos, que ainda é possível identificação de sabor e/ou gosto como marca de autenticidade, na cozinha portuguesa. No respeitante à diferenciação, a tendência para a “homogeneização global” coincide com a do “fascínio pela diferença e mercantilização do étnico e alteridade” (Hall et al., 2003: 77). 112 return to the content page